31 julho, 2017

CENA ILUMINADA

Por:
Leda Caporali de Oliveira
Regional MINAS GERAIS















Dentre palhas, fulge dulcíssima
a luz eterna dos olhos de Jesus.
Ao redor, o alegre burburinho
das meninas-moças da família.

Luzes da terra, os olhos delas
contemplam a luz do céu-menino,
no deslumbramento antecipado
da intuitiva maternidade.

Por perto, os ruminantes.
Da vigorosa presença emana
um calor providencial e,
mais ainda, a vasta e mansa luz
dos olhos confiantes,
pois eles sabem que os anjos vão chegar,
para o concerto triunfal.
Mãos devotas ao longe o prenunciam,
dedilhando ao piano um antigo hino
de santa alegria.

Maria e José a tudo assistem
e avalizam, serenamente.
Como se não fossem co-artífices,
apenas sorriem, singelamente.


27 julho, 2017

JEITO SINGULAR

Por:
Fátima Abreu
Regional CEARÁ













É da natureza dela ser feliz.
É da natureza dela perdoar e esquecer.
Não guarda rancores.
Prefere guardas amores.

Pra ser feliz, não precisa de muito.
Nem de muitos ao seu redor.
Sua riqueza mora nela, não está nos bancos.
Não tem culpa se adivinha pensamentos
ou o que está por trás de um olhar
ou de um sorriso,
ou de um simples movimento.

Nasceu com esse defeito de fabricação: o de adivinhar as coisas.
Sabe quando vai chover e quando o tempo vai fechar.
Pode ver os corações e escutar seus batimentos à distância.

Mas ninguém acredita.
Pensam que está inventando.
Ela é filha da água e do ar,
do fogo e da terra.
Ela sabe amar.





25 julho, 2017

PÔR DO SOL EM HUMAITÁ

Por:
Rosalvo Abreu
Regional BAHIA 











Era verão novamente.  Um ano já se passou, desde o único beijo. Sempre o mesmo desejo, sentir outra vez a mesma emoção. Por que o amor veio visitá-lo e não ficou? Qual o sentido daquela saudade? Qual a essência daquela força tão atrativa?
Francisco tinha vivido algo diferente. Aos trinta anos, o que agora ele sentia era estranho e único, jamais tivera tantas lembranças e necessidade de alguém. Desde o início das suas primeiras férias em Salvador, tudo acontecia de maneira mágica, inebriante. O primeiro pôr do sol vivido na Bahia foi no forte do Humaitá. Naquela tarde o mar e o sol seriam cúmplices. A vida trazia pela oportunidade um encontro imprevisto.
Maria precisava registrar o belo daquele instante. Como se fosse possível capturar o significado do entardecer. Os seus olhares se prenderam pelos raios do sol da Baía de Todos os Santos. Francisco sentiu um frenesi, algo paralisante quando olhou para aquele rosto. Olhos grandes, fortes, esverdeados, que se confundia com o próprio mar. O contorno perfeito dos lábios o fez sentir o sabor do beijo mesmo antes de experimentá-lo.
– Oi! Você pode tirar uma foto minha? Aqui é tudo muito lindo. Preciso registrar. Falou Maria, já oferecendo o celular, na certeza do sim. – Claro, venha pra cá. Aqui vai ficar melhor. Recoste na mureta e fique de lado. Francisco começou a explicar, como um pintor diante da musa que precisava gravar na sua tela. Maria obedecia a cada solicitação, deixando o sorriso revelar a sua entrega.
Maria era uma mineira bela e simples. Sem esforço para o encantamento. Seu olhar atento, espontâneo e o sorriso discreto trazia mais magia para aquela alma feminina. Ela já estava indo embora. Aquela era sua última tarde em Salvador. À noite estaria retornando para Belo Horizonte. Além dos presentes da terra, levaria algo mais inquietante. O desejo de conhecer um pouco mais Francisco. Percebia que de alguma forma algo estaria ligando-os a partir daquele momento. Ela não poderia chamar aquilo de amor, talvez puro desejo. Mas, o encanto nasce dessa vontade.
Francisco, desde então, jamais esqueceria a expressão daquela mulher. Mesmo sem ter a certeza que pudesse encontrá-la novamente. Ficou a delícia do beijo ao pôr do sol, a presença marcante dos seus olhos e o sorriso leve e meigo. Estas lembranças ficariam tão presentes na sua vida que agora seriam chamados de saudade. A partir daquele encontro fortuito, nenhum pôr do sol seria mais em vão.



22 julho, 2017

TORRÃO

Por:
Marco Antonio Fabiani
Regional PARANÁ 










O sol estourou na cara do velho Jacinto, refletindo um brilho estranho e fazendo a barba rala parecer uma soqueira de trigo. O rosto sério, contrito, acompanhava as palavras no tom de quem revelava um segredo vital.

A tarde quente, emudecida, arrastava-se no meio daquele nada. Ele contava a Joselio acontecido
s de mais de uma década. O tempo dilatado de uma vida no crepúsculo, no entanto, não permitia dimensionar esse espaço e Jacinto falava como se tudo se passasse agora, há pouco. Olhavam de vez em quando através da janela e o areão branquinho de terra fraca refletia a claridade a quase cegar.

Jacinto estendeu a mão nodosa, movendo os dedos com certa dificuldade e mostrou a caixinha de fósforos. Abriu lentamente e espalhou o torrão sobre a mesa, sem se importar com a sujeira. E a terra escura ressecada espalhou seu cheiro.

“É terra roxa encaroçada, Joselio.”

Os dois ficaram alguns minutos esfregando a terra entre os dedos, espremendo, espalmando sobre a mesa, sentindo a textura. Joselio passou o dedo na caixa e extraiu o resto. Tocar essa quantidade minúscula iluminava seu cérebro e ele via a quantidade imensa, enormes extensões de terra roxa. Um biólogo que espreita uma única célula ao microscópio e imagina o ser completo.

“Veio de onde, essa amostra, Jacinto.”?

“Do Norte do Paraná.”

“Você volta pra esse norte?”

“Não, vai você. Não tenho força pras semeaduras. Mesmo em terra assim, não faço mais brotar riquezas.”
Um galo cantou, o cão que estava sob a cadeira levantou a cabeça, despertando do sono profundo.
Esperou novo canto. Não veio. Voltou pros sonhos de bicho.

Jacinto e Joselio olharam mais uma vez através da janela. O sol alaranjava-se no horizonte. A terra estava menos esbranquiçada. Não tinha verde. Jacinto olhou a mesa, a viola com a corda turina arrebentada, a salinha pobre. 

“Esperança está sempre longe, onde a gente só põe a mão depois de muito arrastar os pés.”
Joselio indagou: 

“Vai?” 

Jacinto responde num murmúrio: 

“Vou.”




19 julho, 2017

A ANDORINHA SOLITÁRIA

Por:
Luiz Alberto Fernandes Soares
Regional RIO GRANDE DO SUL 













Era um final de tarde, já quase dentro da noite. Estava presente um clima ventoso de inverno. Temperatura na marca de oito graus. O nordestão se debatia com volúpia sobre as águas do mar, fazendo suas ondas invadirem sem limite as ruas e demolirem os últimos comoros de areia que restaram, já que  agora as carroças  que retiram areia para vender aos incautos que compram-na  para reboco, com mistura de areia salgada, o que é extremamente prejudicial a segurança das obras, estão sendo presas, por destruírem a natureza.

O sol ao entardecer ainda mantinha intensa luta para não soçobrar diante do manto da noite, que vinha descendo, sem pedir permissão. Tive a impressão que a noite dizia: - É meu turno de plantão. Vai-te sol que eu assumirei a amplidão do espaço.

Estava voltando de uma caminhada pela passarela das areias, quase coberta pela espuma que as ondas deixavam na praia, como se fossem gotas de lágrimas derramadas por quem se despedira para longa viagem, quando escutei o trinar de um pássaro.
            
Levantei o olhar e vi um ponto preto com listas brancas que realçavam a linda silhueta esguia e sóbria. Firmei o olhar, já quase no lusco-fusco, e vi que o vulto era de uma andorinha.
            
Fiquei surpreso. Parei. Recuei dois passos na tentativa de encontrar melhor ângulo de visão, no desejo de identificar, com certeza, que se tratava de uma andorinha.
            
Quando tive plena consciência, que o pássaro que via, era uma andorinha, lembrei-me da máquina de fotografia. Contemplei a distância a fragilidade da luz. Conclui que nem com o uso de flash, o filme seria sensibilizado diante da ausência da luz no espaço e no objeto que desejava registrar na cromo em cores.
            
Diante do impasse, mudei de posição. Andei em círculo olhando para cima. O meu intento era examinar, admirar, identificar com detalhes a figura do pássaro que estava solitário, pousado sobre o fio de alta-tensão da rede elétrica.
            
Quando o meu cérebro registrou, sem dúvida que se tratava de uma andorinha, comecei a fazer mil conjecturas.
            
Pleno inverno. A grande família dessas aves migratórias há mais de quatro meses já havia deixado nosso país, rumo à Patagônia.
            
As andorinhas já haviam partido. Estivera presente nessa assembleia pública de despedida. Reuniram-se, as que vi, nesses mesmos fios. Tivera o prazer de vê-las voarem na direção do infinito, lá na saída do verão, rumo à nova pátria distante.
            
Recordei-as com emoção. Até de algumas lágrimas que se avizinharam dos meus olhos naqueles momentos de adeus. Pois o instante me fora tão sensibilizante que não mais esquecera da despedida...
            
Milhares de interrogações me vieram à mente diante da andorinha solitária. Teria sido o último rebento a nascer e por falta de capacidade física ficara sozinho no torrão natal?
            
Até não acreditei, já que se tratava de uma família ordenada, séria, amável que tudo planeja para que os herdeiros nasçam, todos no período certo para que tenham condições de migrarem com os pares e vencerem a larga viagem transatlântica!
            
Teria adquirido alguma patologia no final do verão e sem energia suficiente para decolar com seu clã, permanecera solitária?

Fato pouco provável! Também não creio, pela harmonia, sentimento de unidade, entendimento mútuo que reina no bando, o que pouco se vê entre nós, os tais pensadores, denominados racionais. Esse caráter deve ter se perdido nos tempos...
            
Duvido que elas tivessem partido deixando um fragmento da grande família. Grande em dois sentidos: - Eram mais de quinhentas presentes na reunião de despedida. E grande no poder de aglutinação de união fraterna e coesão harmoniosa.
            
Qual seria então o motivo? Por que essa andorinha teria ficado sozinha na plenitude do inverno, no Brasil? Por quê? Realmente foi difícil no momento entender o porquê da solidão.
            
Sentei-me na mureta da entrada e fiquei a contemplar o sol que já ia se escondendo, pareceu-me que também dando o seu adeus ao dia que fugia silenciosamente. Notei que a cada momento, a noite se fazia mais densa, reduzindo minha capacidade visual.
           
O vulto persistia ali imóvel. A andorinha solitária parecia triste, desolada, perdida, esquecida na imensidão de seus pensamentos.
             
O que estaria a imaginar? Acreditei que estava com saudade de sua família!
            
Tive vontade de chegar mais próximo e convidá-la a entrar e se agasalhar em minha garagem, já que o cair da noite fazia descer a temperatura.
            
A distância era longa. Mais de sete metros. Ali a olhá-la em pleno silêncio, não queria fazer nenhum movimento brusco para que ela não fugisse, diante de um gesto mais bruto.
            
Veio-me novo pensamento. Onde ela estaria morando? Talvez sob o telhado da minha casa ou de algum vizinho?
             
Diante de tão variadas conjecturas, fiquei a imaginar: - É possível que agora, já exista no Brasil, uma nova raça de andorinhas, resistentes ao clima de inverno e capaz de suportar as quatro estações. É bem possível que seja uma verdadeira trigênica, que algum cientista geneticista tenha criado na solidão de algum laboratório sulino e lançado ao espaço para constatar sua capacidade reprodutiva e sua resistência ao tempo.
            
Em verdade é complexo entender, conhecer os motivos pelos quais a andorinha estava ali solitária!
            
Agora, sim, a noite era a única habitante da amplidão sem luz. E dentro dela estava eu que praticamente não mais definia o vulto da andorinha, ainda pousada no mesmo fio. De quando em quando a identificava através do trinar melancólico e solitário, que contagiava minha alma também solitária.

Ouvia um som leve, distante que ressoava com pouca nitidez, apesar do nordestão ter amainado um pouco sua fúria desregrada.
            
Como já estava sentindo muito frio. Mãos geladas. Extremidades do nariz ardendo. Visão quase nula. Meu lindo objeto admirado não mais o via. Resolvi falar em voz alta.
            
- Minha amiga! Minha boa vizinha por acaso você não quer entrar?
            
Revi um vulto que parecia ter agitado  as asas. Entendi... Deveria estar aceitando meu convite. Ou talvez até dizendo:
            
- Eu já moro aí sob o teto de sua casa.
            
Então falei de novo, em voz mais carregada de decibéis.
            
- Vamos nos recolher que já está na hora e o frio a cada momento aumenta.

Ouvi um trinado mais longo e um vulto rodopiou mais baixo e ganhou o espaço, sob o telhado da minha casa.
            
Fiquei feliz e muito emocionado que ela era minha inquilina, sem nada pagar e que na verdade estava muito bem protegida do frio.

            
Também cruzei os umbrais da porta da frente, um tanto mais satisfeito, fugindo da intensidade do frio do inverno e conclui que a andorinha solitária em verdade reside comigo e como bem diz a frase popular: 

- Uma andorinha solitária não faz verão.




17 julho, 2017

LIBERDADE

Por:
Antonio de Oliveira Gutman
Regional RIO DE JANEIRO 













Não deixe para amanhã
o verso entalado em sua garganta.

Solte o verbo
imaginado e produzido na infância.

Desamarre as palavras
amarradas em seu cérebro.

Liberte o último parágrafo
preso nas malhas da censura.

Dê asas aos acentos, pontos e vírgulas,
e distribua-os de maneira sensata e democrática.

Entenda os sons
que surgem das palavras impressas no papel.

Traduza os rabiscos
Feitos na noite solitária e mal dormida.

Imagine as letras soltas,
depois, prenda-as no papel.


Construa um poema, enfim!


15 julho, 2017

ZÉ PAPAGAIO

Por:
José Itamar Abreu Costa
Regional PIAUÍ













Papai comprou urna casa onde hoje é situada a Praça Professor Mundico Costa, em Alto Longá.

O imóvel fica em frente à porta principal da Igreja Matriz Nossa Senhora dos Humildes. Papai resolveu fazer uma reforma.

Contratou um pedreiro, ajudantes e o Zé Papagaio, que tinha uma tropa de jumentos e fazia carretos, ou seja, trazia nos caixões: barro, areia, tijolo, pedras e telhas. Ofereci-me para ajudar o trabalhador, e montado em outro animal (reserva), fazia todo o trajeto de casa para o local onde se pegava os materiais.

Ficou uma grande amizade, e o Zé Papagaio gostava muito de mim. Retornei ao Piauí em 1980. Casei-me com a Edilane, em 1982, voltando assim a frequentar mais a minha terra natal. Um dia, o Papagaio me procurou e falou que estava sentindo dor no peito e falta de ar. Trouxe o amigo para Teresina e diagnostiquei uma doença do músculo do coração, de grau já avançado, sendo considerado fora de possibilidade cirúrgica. A conduta era clínica.

O Papagaio tomava a medicação regularmente; mesmo assim descompensava e nós o internávamos, ora na CasaMater, ora no Hospital São Marcos. Em uma dessas internações, o quadro clínico estava muito complicado e o paciente ficou hospitalizado em regime de UTI, no São Marcos. Em um dia, era sábado, passei no Hospital às cinco horas e resolvi visitar logo o Papagaio. Tinham sido colocadas umas cortinas para separar os boxes dos pacientes e, ao entrar na UTI, dirigi-me imediatamente para o leito do amigo. 

Ele estava iniciando uma arritmia grave (taquicardia ventricular), e agonizava. Ao me ver ficou ainda mais angustiado. Sempre que podemos fazemos a cardioversão com desfibrilador, principalmente em UTI, pronto-socorro, etc. Sabemos que um soco no precórdio - região do tórax onde fica o coração - , equivale a um choque de 20-30 Jaule. Imediatamente dei um soco potente no tórax do Papagaio. Com essa manobra a arritmia foi revertida. 

Ao melhorar, o velho assim se pronunciou: "Doutor, estava sonhando com o senhor, que eu recebia de sua bondosa pessoa um murro e eu pensava o que foi que fiz a ele para merecer uma surra". 

Papagaio ainda viveu muitos anos e sempre que nos encontrávamos, essa história era relembrada.


13 julho, 2017

BELÉM DO PARÁ

Por:
Heloisa Marceliano Nunes
Regional PARÁ
E-mail heloisanunes@iec.pa.gov.br











Moro na cidade de Belém, capital do Estado do Pará
Na Região Norte do Brasil
Que hoje, jovem em seus 400 anos,
Tem muito o que celebrar.

O Círio de Nazaré, festividade que ocorre no segundo domingo de outubro,
É a maior procissão católica do país, com mais de dois milhões de romeiros,
Tem a Catedral da Sé, como ponto de partida
E a Basílica de Nazaré como seu ponto de chegada.

A Praça da República no Centro de Belém, aos domingos, fica lotada de famílias,
Artesãos em suas barraquinhas vendem de tudo um pouco,
Cachorros e seus donos são levados a passear,
Turistas encantados com tanta variedade querem de tudo comprar,
Artistas variados se apresentam em algum lugar
E para completar, em junho o Arraial do Pavulagem vem nos alegrar.

No mais famoso mercado a céu aberto de Belém, o Mercado do Ver-o peso,
Tem inúmeras barraquinhas, onde se pode encontrar
Farinha, temperos, frutas, verduras, peixes, carangueijos e artesanato
Pasmem, até artigos de mandinga, pro seu amor retornar.

A Estação das Docas, antes um abandonado conjunto de armazéns do porto,
Com sua bela estrutura em ferro inglês, às margens da Baía do Guajará,
Após uma boa reforma, ganhou o status de espaço gastronômico e cultural,
Com bares, restaurantes, exposições de arte, teatro e cinema, a nos orgulhar.

Considerada “Cidade das Mangueiras” pela presença de centenas delas,
Dispostas de forma ordeira e aparelhada, formando túneis nas ruas e praças,
Garantem sombra para amenizar as altas temperaturas da cidade,
E vidros de carros quebrados na safra de mangas da região.

Em Belém se encontra uma variedade de cheiros e sabores,
O açaí em seus cachos de caroços redondos e arroxeados,
Que após ficar de molho, são amassados manualmente ou batidos em máquina própria,
Um líquido roxo, espesso e saboroso é obtido, que dependendo do freguês
Pode ser tomado com farinha de tapioca ou farinha d’água, camarão ou peixe frito
Na forma de sorvete ou o que a imaginação dos paraenses inventar.

O cupuaçu, fruto de casca dura e cor marron escuro,
Com grandes sementes, massa branca e espessa,
É uma fruta que não se esconde nem se rejeita,
Pelo cheiro característico e sabor incomparável, a que tudo se sujeita.
Pode-se com ele tudo fazer vinho, sorvete, cremes, bolos e outras receitas,


A pupunha, produzida em cachos com numerosos frutos arredondados,
Que variam entre o vermelho e o verde, de polpa amarelada e fibrosa,
Deve ser fervida em água e sal; ter sua casca e caroço retirados,
E ser comida pura ou acompanhada de um gostoso cafezinho.

Outra iguaria paraense bastante apreciada é o tacacá,
Feito com tucupi, temperado com alho e chicória,
Jambu, goma de mandioca, camarão seco salgado e se quiser pimenta-de-cheiro.
Preferido nas tardes acaloradas de Belém, servido numa cuia,
Deve ser tomado em goles pequenos para não queimar a boca e nunca, de colher.

A Ilha do Mosqueiro, distrito de Belém,
É uma ilha da costa oriental do Rio Pará, em frente à Baia do Marajó,
Possui vinte praias de água doce com movimento de marés.
Não se vai ao Mosqueiro, se não comer pelo caminho a pamonha do Goiano,
Atravessar a ponte e comer camarões preparados na hora
Passar o dia na praia de sua escolha bebendo e comendo de tudo,
Comer o pastel do Oliveira, as tapioquinhas, o raspa-raspa e outras guloseimas na praça,
E finalmente cansado, empanturrado e satisfeito, encarar a estrada de retorno para casa.

Em Icoaraci, outro distrito de Belém, a cerca de vinte quilômetros da capital,
Além de se compartilhar espaços agradáveis e saborosos na sua Orla,
É possível tomar água de coco e comprar peças de cerâmica marajoara diretamente do artesão,
Nas feirinhas das praças da Matriz e São Sebastião.

Em Belém encontramos também o Espaço São José Liberto
Que após reforma do antigo presídio São José, foi reaberto como Pólo Joalheiro,
Podemos compartilhar o Espaço da Casa das Onze Janelas, antigo sobrado,
Que já abrigou um hospital militar e foi transformado em galeria de arte.
E o Parque Emílio Goeldi com muitas espécies de plantas que faz a alegria da criançada,
Onde pode ver “ao vivo” pacas, cutias, bichos-preguiça, jacarés e até onça pintada,

Quanto ao folclore, o Carimbó,
Dança de roda bastante animada do litoral do Pará,
Não deixa ninguém parado quando suas músicas se põem a tocar
De origem indígena, misturou-se com outras influências, principalmente negra
Foi declarado patrimônio cultural imaterial do Brasil, em 2014.

É por tudo isso e muito mais,
Embora já tenha viajado, de Norte ao Sul do país,
De avião, carro, navio, canoa, cavalo, trator, carroça e a pé,
Reconheço que a melhor parte da viagem

É justamente o “voltar para casa”



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